Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker) | Crítica

Tempo de leitura: 4 minutos

De Camila Vila Franca

Sequência chega aos cinemas com sexo de calça jeans, clichês e menos história.

Alerta! Pode conter spoilers.

Depois de um término de relacionamento dramático no primeiro filme, Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson) estão de volta em 50 Tons Mais Escuros com uma dose extra de sexo sem graça, muitos clichês e um roteiro que deixa a desejar.

No primeiro longa, Anastasia não consegue aceitar os desejos do parceiro e termina com o ricaço. Já neste, ambos os personagens mudam da água para o vinho sem nenhuma explicação. Ana passa a ser confiante e desejável, enquanto Gray diz estar disposto a deixar os desejos para trás e recomeçar com ela em nome do amor.

A trama começa tentando justificar o perfil sexual do personagem como resultado de abusos sofridos na infância pela “Sra Robinson”, vivida por Kim Basinger. E mesmo com sequelas deste abuso, Gray mantém uma inexplicável relação de amizade com ela e inclusive sociedade em alguns negócios. No decorrer do filme ela se torna uma pedra no caminho de Anastasia tentando convencê-la de que ela não serve para Gray por não satisfazê-lo.

Sabe-se também que a mãe biológica de Christian era dependente química e morreu quando ele ainda era criança, mas os detalhes da vida e do passado dele acabam por aí.

Outro fardo que o casalzinho vai ter que aguentar é a aparição da antiga submissa, Leila (Bella Heathcote), que quer a todo custo entender porque Gray tem uma relação mais intensa com Ana como nunca teve antes com qualquer outra mulher.

Enquanto isso, Anastasia parece estar vivendo o auge de sua vida e carreira com tudo dando certo: homem e emprego dos sonhos. Tudo parecia ir bem, até que o chefe do novo emprego dela começa a se mostrar um cara bem estranho assediando, chamando-a de interesseira por se relacionar com Gray e em um momento mais crítico tentando abusar dela. Com isso, claro que Christian já mexeu uns pauzinhos e tratou de acabar com a carreira do cara tornando Ana a chefe do departamento. E claro, arrumando um novo inimigo.

Mas como nem tudo são flores para os dois, uma tragédia acontece e Gray sofre um acidente aéreo quando voltava de uma viagem de trabalho. Enquanto a notícia se espalhou rapidamente, família, amigos e a namorada se reúnem no apartamento do empresário já esperando pelo pior. Até que como em um passe de mágica, Christian MacGyver Gray chega pelo elevador do apartamento apenas um pouco sujo e descabelado, porém age como se nada tivesse acontecido! Sim, é milagre minha gente!

Já as cenas picantes e sensuais também ficam bem mais sem graça. Sem tanta paixão entre eles (não sei se o problema é a falta de sintonia dos atores ou a direção que não soube conduzir a trama), as cenas de sexo que deveriam animar quem assiste chegam a causar risos. E pasmem: em muitas delas ele sequer se dá o trabalho de tirar a calça para fazer o serviço direito. E olha que a Ana até se mostrou interessada em alguns acessórios do quarto vermelho.

Os momentos mais eróticos do filme são a cena da masturbação no elevador (que faz parte do trailer de divulgação) e um momento em que ele pede pra ela usar em sua parte intima um item de sexshop. Apesar de que este momento não é tão explorado, aliás, como a maior parte do filme.

Cinquenta Tons Mais Escuros é um filme morno e não oferece muitos atrativos a quem busca por um filme com romance, paixão ou até mesmo as prometidas cenas de sexo de dominação/submissão. Ele deixa a desejar em vários pontos desde a atuação, até o desenrolar dos dois e as participações pouco intensas dos novos personagens.

Por fim a trama está mais para um filme de possessão com as atitudes paranoicas e ciumentas do personagem Christian Gray misturado com novela mexicana do que ser chamado de um filme erótico e dramático.

O primeiro filme da franquia arrecadou US$ 530 milhões em todo o mundo, enquanto Cinquenta Tons Mais Escuros ainda está perto de US$ 22 milhões.

Nota   (6)

Assinatura Sete de CopasSete de Copas, amor pela sétima arte e games.